Depois de curtir uma ótima viagem de motocicleta, seja nas estradas
pavimentadas ou em regiões de terra e lama, chega o sagrado momento de
dar um belo trato na companheira das aventuras. Acordar bem cedo no
domingão, pegar um pano, um balde com água e sabão, arregaçar as mangas e
dar aquela lavada caprichada na motocicleta. Listamos algumas dicas
para evitar qualquer tipo de maltrato involuntário ao equipamento.
O primeiro passo é encontrar um lugar tranqüilo e com sombra, para que o
sol não incomode nem a moto, nem o dono. Em seguida, preparar o kit de
lavagem, composto por balde, querosene, pincel, panos limpos e macios,
xampu e água, claro.
“É preciso utilizar xampu neutro e água em temperatura ambiente e com
baixa pressão para não danificar componentes da moto”, explica Fabio
Carmona, proprietário da Café Racer Wash.
A alta pressão pode estragar a pintura, as faixas e adesivos, além de
tirar as graxas dos rolamentos da coluna de direção e da articulação da
suspensão traseira. Evite também lavar a moto com o motor quente — não
que isso estrague a máquina, mas para se livrar do cheiro ruim de vapor
expelido.
Na seqüência, depois de ter molhado a motocicleta com cuidado, pincele
querosene para remover os resíduos de óleo e graxa nas áreas do motor,
carburador, escapamento, rodas, cavalete lateral e por baixo dos
pára-lamas. Enxágüe novamente.
O próximo passo é lavar o tanque, assento, tampas laterais e pára-lamas
com o xampu neutro. Use um pano macio; uma camiseta velha por exemplo.
Evite concentrar o jato d’água em regiões como os cubos das rodas,
interruptores, freios, painel de instrumentos, saída do escapamento e
corrente de transmissão para não danificar as peças.
“A pessoa precisa ser muito caprichosa e, especialmente, gostar mesmo de
brincar com água”, brinca Carmona, que fala também sobre o momento de
enxugar. “É ideal usar um equipamento de ar comprimido na hora de secar,
para tirar a água acumulada e impedir que algumas peças enferrujem. Mas
quem não tiver isso em casa, deve usar pano limpo e macio”.
Ricardo Medrano, um dos donos da Johnnie Wash, lembra que “moto não é
como carro”. “Uma lavagem mal feita pode ocasionar o ofuscamento das
partes cromadas, por exemplo. Tem gente que utiliza produtos do
dia-a-dia ao lavar a moto e, sem querer, acaba riscando o veículo. Em
casa, leva-se pelo menos duas horas para lavar a moto”, destaca. “Se não
souber lavar, é melhor deixá-la suja e, quando possível, levá-la a
estabelecimentos especializados”, acrescenta.
Após a lavagem, lubrifique a corrente de transmissão e os cabos do
acelerador e da embreagem. Ligue o motor e deixe-o funcionar por alguns
minutos. Ao dar uma voltinha, tome cuidado com as primeiras frenagens,
pois a eficiência dos freios não é a mesma quando estão molhados e
frios.
“Meu conselho é que o motociclista lave a moto quando for deixá-la
guardada, se possível coberta com uma capa. Quando sair de moto, não se
preocupe com a sujeira e curta a viagem”, afirma Fabio Carmona.
Agora que a moto está limpinha, com cara de nova em folha, nada melhor
do que definir os próximos roteiros de aventura. Depois, é só ter
paciência para repetir o processo de lavagem ou solicitar os
estabelecimentos especializados, que garantem um trato com carinho e de
primeira qualidade.


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